terça-feira, 24 de agosto de 2010

Forte como és

Forte como és, levam-te em braços até ao teu leito onde todas as noites escutas ouvindo com muita atenção, sempre a mesma música. Uma canção que te aquece o coração, enfraquecido de uma paixão enorme que escorre em direcção a um infinito precipício. Estas expectante, ofegante e ansioso, e nesses momentos rezas e teces preces aos céus, és forte, muito forte mas um pouco triste. Estendes um braço tentando alcançar uma gaveta, aquela onde guardas toda a tralha, a mesma onde nunca deixaste repousar o teu coração, mas aquela onde colocaste todos os outros, e a mesma onde os trancaste. Procuras por ele, entre um e outro que lá ficou esquecido, entristeceste com a tua falta de coragem em os devolver, e num golpe de raiva voltas, tal como todas as noites, a fechar a gaveta. Irritado e fraco bates com toda força que te resta no peito, cravas as unhas fortemente na pele e rasgas camadas após camadas, e quando chegas por fim onde querias, olhas lá para dentro e descobres que nem todas as almas são terreno fértil para visões e sonhos.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O teu amor

Naqueles dias em que procuraste entender o amor, desconhecias que este pode ser feito de ódio, com a capacidade enorme de criar e destruir. Nesses tempos acreditavas que os sonhos eram feitos de vontades, palavras ou momentos ternos de uma inocência ingénua normal da tua idade, tenra e terna. Mantinhas pensamentos simples motivadores de actos complexos. Dizias palavras doces, com amor. Os teus sentimentos eram limpos.

Hoje notas que há quem tenha interesse no teu estado, procure disfarçar os teus erros para que não saibas o que eles representam e o impacto que têm no amor. Todos olhamos para o céu em busca de esperança, com medo de virar a página porque o capítulo está a chegar ao fim, e tu já sonhaste tanto… e agora tens de seguir numa direcção que ainda não existe.

Amanha, quando os sonhos pareçam pesadelos, e a idade já não seja tão ingénua, o amor já terá abafado tanto a mágoa, que irás olhar para trás com carinho.